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OE 2016: ALTERAÇÕES EM SEDE DE IRS

Foi hoje publicada em Diário da República a Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março (Lei do Orçamento do Estado para 2016, LOE). Destacamos as principais alterações em sede de IRS. 

Taxas 

Pese embora as taxas gerais de IRS se mantenham inalteradas, há uma ligeira alteração dos intervalos de rendimento coletável correspondentes aos quatro primeiros escalões da taxa progressiva, conduzindo a uma descida moderada do imposto a pagar: 



Rendimento coletável (euros)
Taxas (percentagem)
Normal (A)
Média (B)
Até 7 035
14,50
14,500
De mais de 7 035 até 20 100
28,50
23,600
De mais de 20 100 até 40 200
37
30,300
De mais de 40 200 até 80 000
45
37,650
Superior a 80 000
48
-










Quociente familiar 

O Código do IRS, na redação de 2015, dispunha que tratando-se de sujeitos passivos casados e não separados judicialmente de pessoas e bens ou unidos de facto, as taxas gerais aplicáveis eram: 

a) Nos casos em que houvesse opção pela tributação conjunta, as correspondentes ao rendimento coletável dividido pela soma de dois com o produto de 0,3 pelo número de dependentes que integrassem o agregado familiar e de ascendentes; 

b) Nos casos em que não fosse exercida a opção referida na alínea anterior, as correspondentes ao rendimento coletável dividido pela soma de um com o produto de 0,15 pelo número de dependentes que integrassem o agregado familiar e de ascendentes. 


A LOE veio revogar o quociente familiar, de acordo com o qual, para efeitos de determinação do rendimento sujeito às taxas gerais de IRS, cada contribuinte tinha uma ponderação de 1 e cada dependente ou ascendente uma ponderação de 0,3. 

A partir de 2016, tratando-se de sujeitos passivos casados e não separados judicialmente de pessoas e bens ou unidos de facto, nos casos em que haja opção pela tributação conjunta as taxas aplicáveis são as correspondentes ao rendimento coletável dividido por dois. As taxas gerais aplicam-se ao quociente do rendimento coletável, multiplicando-se por dois o resultado obtido para se apurar a coleta do IRS.


Deduções à coleta 

À coleta devida pelos sujeitos passivos residentes em território português e até ao seu montante são deduzidos: 

a) Por cada dependente o montante fixo de € 600 (em 2015 era de € 325); 

b) Por cada ascendente que viva efetivamente em comunhão de habitação com o sujeito passivo, desde que aquele não aufira rendimento superior à pensão mínima do regime geral, o montante fixo de € 525,00 (em 2015 era de € 300). 

A estas deduções somam-se os montantes seguintes e que já anteriormente estavam previstos no Código do IRS: 

a) € 125 por cada dependente nas condições acima referidas que não ultrapasse três anos de idade até 31 de dezembro do ano a que respeita o imposto; 

b) € 110 no caso de existir apenas um ascendente nas condições acima referidas. 


Passa a ser dedutível à coleta do IRS devido pelos sujeitos passivos um montante correspondente a 15 % do IVA suportado com atividades veterinárias por qualquer membro do agregado familiar, com o limite global de € 250 por agregado familiar, que conste de faturas que titulem prestações de serviços comunicadas à Autoridade Tributária através do Portal e-fatura. Recorde-se que, em 2015, apenas eram dedutíveis pela exigência de fatura as despesas com:

a) Manutenção e reparação de veículos automóveis; 

b) Manutenção e reparação de motociclos, de suas peças e acessórios; 

c) Alojamento, restauração e similares; 

d) Atividades de salões de cabeleireiro e institutos de beleza. 


As deduções relativas a dependentes com deficiência, bem como a ascendentes com deficiência que vivam em comunhão de habitação com o contribuinte e que não aufiram rendimentos superiores à pensão mínima do regime geral, aumentam de 1,5 vezes do valor do IAS para 2,5 vezes do valor do IAS (€ 419,22).

Deduções à coleta de despesas com saúde, educação e formação por parte de sujeitos passivos não residentes na UE e no EEE 

Passa a ser possível para os sujeitos passivos inserirem no Portal das Finanças as despesas de saúde e as despesas de educação que tenham sido realizadas em qualquer território fora de Portugal e não apenas nos Estados Membros da União Europeia (UE) e do Espaço Económico Europeu (EEE), como atualmente previsto. 

Liquidação oficiosa de rendimentos da Categoria B 

Em caso de falta de entrega da declaração de IRS, a determinação dos rendimentos empresariais e profissionais tributáveis é realizada em conformidade com as regras do regime simplificado de tributação, com a aplicação do coeficiente de 0,75 aos rendimentos em causa. Excetuam-se, entre outros, os rendimentos da propriedade intelectual ou industrial (em que se aplica o coeficiente de 0,95) e dos rendimentos auferidos por sócios de sociedades abrangidas pelo regime da transparência fiscal (coeficiente de 1). 

Títulos de compensação extrassalarial 

A LOE procede ao alargamento das obrigações de reporte por parte das entidades emitentes e utilizadoras de "títulos de compensação extrassalarial", inicialmente previstas para a emissão e utilização de vales de refeição. 

A lei introduz o conceito de «títulos de compensação extrassalarial», o qual engloba todos os títulos, independentemente do seu formato, designadamente em papel, em cartão eletrónico ou integralmente desmaterializados, que permitam aos seus detentores efetuar pagamentos, sempre que à sua utilização corresponda um desagravamento fiscal. Nesta medida, aquelas obrigações de reporte serão extensíveis, entre outros, aos vales sociais (vales infância e vales educação). 

Fundamentação da liquidação pela Autoridade Tributária 

A LOE para 2016 estabelece que a fundamentação da liquidação é efetuada de forma sumária, devendo sempre conter as disposições legais aplicáveis, a qualificação e quantificação dos factos tributários e as operações de apuramento da matéria tributável e do tributo. 

A Autoridade Tributária e Aduaneira deve disponibilizar ainda, sem qualquer encargo para os contribuintes, a informação relevante da liquidação, nomeadamente a relativa às deduções à coleta na mesma consideradas, a qual pode ser obtida no Portal das Finanças ou nos serviços de finanças. A notificação da liquidação deve conter, obrigatoriamente, a referência ao procedimento relativo às deduções à coleta.

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NOVOS VALORES DO ABONO DE FAMÍLIA, DO ABONO PRÉ-NATAL E RESPETIVAS MAJORAÇÕES

Entra hoje em vigor a Portaria n.º 11-A/2016, de 29 de janeiro , que procede à atualização dos montantes do abono de família para crianças e jovens, do abono de família pré-natal, e respetivas majorações.  O abono de família para crianças e jovens beneficia de um aumento correspondente a 3,5 % para o 1.º escalão de rendimentos, 2,5 % para o 2.º escalão e 2 % para o 3.º escalão.  As majorações para as famílias mais numerosas são igualmente atualizadas tendo por referência os valores fixados para o abono de família para crianças e jovens.  A referida portaria reflete ainda o aumento da percentagem da majoração do montante do abono de família para crianças e jovens inseridos em agregados familiares monoparentais, de 20 %, para 35 %, através do Decreto -Lei n.º 2/2016, de 6 de janeiro.

SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DOS DESPEJOS

Foi publicado o diploma que consagra o regime extraordinário e transitório,  até 31 de março de 2019, para proteção de pessoas idosas ou com deficiência que sejam arrendatárias e residam no mesmo locado há mais de 15 anos. O diploma legal aplica-se aos contratos de arrendamento para habitação cujos arrendatários, a 17 de julho de 2018, residam há mais de 15 anos no locado e tenha ou idade igual ou superior a 65 anos ou grau comprovado de incapacidade igual ou superior a 60 %. Os inquilinos, nestas circunstâncias, passam a beneficiar de um regime extraordinário e transitório que permite a  suspensão temporária dos prazos de oposição à renovação e de denúncia pelos senhorios de contratos de arrendamento.

COVID-19: DIFERIMENTO DE PAGAMENTO DE OBRIGAÇÕES FISCAIS

Face à situação de Pandemia, existem um conjunto de medidas excecionais, apoiadas pelo Governo, destinadas especificamente a apoiar a tesouraria das empresas. Entre essas medidas contam-se as seguintes: Pagamento Especial por Conta O valor do pagamento especial por conta, para efeitos de IRC, que era devido em 31 de março, pode ser efetuado até 30 de junho de 2020, sem quaisquer acréscimos ou penalidades. Modelo 22 A obrigação, até 31 de maio, de entrega da declaração periódica de rendimentos de IRC (Declaração Modelo 22), referente ao período de tributação de 2019, pode ser cumprida até 31 de julho de 2020, sem quaisquer acréscimos ou penalidades. Pagamento por conta e pagamento adicional por conta As primeiras prestações do pagamento por conta e do pagamento adicional por conta, para efeitos de IRC, a efetuar em 31 de julho, podem ser feitas até 31 de agosto de 2020, sem quaisquer acréscimos ou penalidades. Retenções na fonte É possível diferir o pagamento de retenções d

ATUALIZAÇÃO DAS RENDAS PARA 2022

 O coeficiente de atualização anual de renda dos diversos tipos de arrendamento urbano e rural a aplicar em 2022 será de 1,0043. Contas feitas, corresponde a mais 43 cêntimos por cada 100 euros de renda. Uma renda de 500 euros terá um aumento máximo de 2 euros e 55 cêntimos e uma renda de 1.000 euros terá, no máximo, um aumento de 4 euros e 30 cêntimos. A atualização da renda não é automática pois carece sempre de uma comunicação nesse sentido por parte do Senhorio ao Arrendarário. A comunicação informando sobre o novo valor da renda e o quoficiente aplicado deverá ser feita com uma antecedência minima de 30 dias mediante carta registada com aviso de receção.